Não adianta terapia, sessão do descarrego, dança da chuva ou balada. Quando você acorda anestesiada pela tristeza, é sinal de que a vida precisa tomar ar.
É a alma da gente querendo exercício, pedindo mudança, implorando pelo novo. É o inconsciente debochando da nossa mania ridícula de se apegar às pequenas coisas.
A gente se conforma com uma ligação que chega depois de 3 semanas, com um elogio de estranho ou com o conselho daquela amiga que justifica nosso fracasso ao destino, às coisas que não eram pra ser, como se você fosse só um fantoche aguardando o fechar das cortinas.
Eu não acredito em destino e não acredito em gente otimista que resume todo o mistério da vida com consolos do tipo “foi melhor assim” ou “tem algo muito melhor guardado pra você”.
Aos 27 eu saio pra rua como se tivesse 20. Infiltrada em uma multidão tão cheia de vazio quanto eu, tentando desesperadamente levar a alma pra fugir da rotina, como se ela precisasse encontrar outras almas perdidas, porém cheias de vaidade para justificar a solidão.
Tô ali, aquela no centro da pista, entregue ao movimento das luzes, da música e de outros serem que, assim como eu, seguem essa espécie de previsão feita por gente que nunca erra: “Vai lá garota. Tem que sair mesmo, beijar na boca, curtir a vida”.
Não me curei dos conflitos existenciais, mas há muita diversão em toda essa superficialidade.
Por que afinal o mundo não precisa saber que essa é maneira mais limitada de seguir em frente.
Coisa de gente doida, coisa de gente normal.
Por Sarah Santos
Por Sarah Santos
