Era uma vez, mas eu me lembro como se fosse agora.
Eu queria ser trapezista, minha paixão era o trapézio.
Me atirava do alto na certeza que alguém segurava-me as mãos não me deixando cair.
Era lindo , mas eu morria de medo , tinha medo de tudo quase: Cinema, parque de diversão, de circo, ciganos, aquela gente encantada que chegava e seguia.
Era disso que eu tinha medo.
Do que não ficava para sempre.
(Porque o que não fica pra sempre, sempre dói....)
(Texto de Antônio Bivar, extraído do disco Drama 3°Ato/1973 de Maria Bethânia)
Subentendido
Como uma ideia que existe na cabeça sem a menor pretensão de acontecer
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Lenga-lenga de mulherzinha
Eu quero amar, mas não é qualquer amor.
Pode ser a qualquer hora ou em qualquer dia, só não pode ser um qualquer.
Um amor que me traga paz e desespero na mesma proporção que é pra eu me sentir viva.
Um amor, sobretudo companheiro, para me fazer dançar e rir até os pés e a boca doerem.
Um amor pra beijar com os olhos fechados (assim dá pra eu espiar de vez em quando). E ninguém me peça pra amar com os olhos abertos!
Que ele não more debaixo da saia da mãe, mas que a respeite acima de tudo (um homem que não trata bem a mãe, não trata bem uma mulher).
Um amor que me leve pra conhecer o mundo sem esquecer o preço do feijão.
Que inspire confiança, tenha cheiro de lavanda e deixe a barba por fazer.
Um amor com opinião própria, que não me deixe brincar e colocar de lado feito aquela boneca velha que eu arranquei a cabeça.
Que seja meio torto, meio bobo, meio insano, mas que seja inteiro pra mim.
Um amor pra ser lembrando em todas as músicas.
Um amor amigo. Que se encontre e se perca no meu abraço.
Um amor que seja amor. Um amor que seja.
Pode ser a qualquer hora ou em qualquer dia, só não pode ser um qualquer.
Um amor que me traga paz e desespero na mesma proporção que é pra eu me sentir viva.
Um amor, sobretudo companheiro, para me fazer dançar e rir até os pés e a boca doerem.
Um amor pra beijar com os olhos fechados (assim dá pra eu espiar de vez em quando). E ninguém me peça pra amar com os olhos abertos!
Que ele não more debaixo da saia da mãe, mas que a respeite acima de tudo (um homem que não trata bem a mãe, não trata bem uma mulher).
Um amor que me leve pra conhecer o mundo sem esquecer o preço do feijão.
Que inspire confiança, tenha cheiro de lavanda e deixe a barba por fazer.
Um amor com opinião própria, que não me deixe brincar e colocar de lado feito aquela boneca velha que eu arranquei a cabeça.
Que seja meio torto, meio bobo, meio insano, mas que seja inteiro pra mim.
Um amor pra ser lembrando em todas as músicas.
Um amor amigo. Que se encontre e se perca no meu abraço.
Um amor que seja amor. Um amor que seja.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Me leva pra dançar
Não adianta terapia, sessão do descarrego, dança da chuva ou balada. Quando você acorda anestesiada pela tristeza, é sinal de que a vida precisa tomar ar.
É a alma da gente querendo exercício, pedindo mudança, implorando pelo novo. É o inconsciente debochando da nossa mania ridícula de se apegar às pequenas coisas.
A gente se conforma com uma ligação que chega depois de 3 semanas, com um elogio de estranho ou com o conselho daquela amiga que justifica nosso fracasso ao destino, às coisas que não eram pra ser, como se você fosse só um fantoche aguardando o fechar das cortinas.
Eu não acredito em destino e não acredito em gente otimista que resume todo o mistério da vida com consolos do tipo “foi melhor assim” ou “tem algo muito melhor guardado pra você”.
Aos 27 eu saio pra rua como se tivesse 20. Infiltrada em uma multidão tão cheia de vazio quanto eu, tentando desesperadamente levar a alma pra fugir da rotina, como se ela precisasse encontrar outras almas perdidas, porém cheias de vaidade para justificar a solidão.
Tô ali, aquela no centro da pista, entregue ao movimento das luzes, da música e de outros serem que, assim como eu, seguem essa espécie de previsão feita por gente que nunca erra: “Vai lá garota. Tem que sair mesmo, beijar na boca, curtir a vida”.
Não me curei dos conflitos existenciais, mas há muita diversão em toda essa superficialidade.
Por que afinal o mundo não precisa saber que essa é maneira mais limitada de seguir em frente.
Coisa de gente doida, coisa de gente normal.
Por Sarah Santos
Por Sarah Santos
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Antes que seja tarde
Pato Fu
Olha, não sou daqui
Me diga onde estou
Não há tempo não há nada que me faça ser quem sou
Mas sem parar pra pensar, sigo estradas,sigo pistas pra me achar
Nunca sei o que se passa com as manias do lugar
Porque sempre parto antes que comece a gostar
de ser igual, qualquer um,me sentir mais uma peça no final
cometendo um erro bobo, decimal
Na verdade continuo sob a mesma condição:
distraindo a verdade e enganando o coração
Pelas minhas trilhas você perde a direção
Não há placa nem pessoas informando aonde vão
Penso outra vez estou sem meus amigos e retomo a porta aberta dos perigos
Na verdade continuo sob a mesma condição:
distraindo a verdade, enganando o coração
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Metade
Oswaldo Montenegro
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Foi assim
Você me conheceu assim: desajeitada, exagerada, desconfiada, perdida.
Disse de cara que gostou do meu jeito, do meu cheiro, dos meus gostos, da minha maneira confusa de ver a vida.
Foi assim que eu achei graça na aventura. Menina dando corda no brinquedo, inventando um faz de conta, uma espécie de antídoto antimonotonia.
Foi assim que eu te vi. Uma distração para esquecer o que ficou do passado, para enganar aquela solidão desafiante que bate no finalzinho do domingo ou na quarta chuvosa antes de dormir.
Foi assim que eu te descobri. Meninão cheio de sonhos bagunçados, frases clichês e um olhar que intimida.
Foi assim que eu te adorei. Roubando meus melhores sorrisos no meio de um dia agitado, resgatando a menina boba e sonhadora que eu enterrei há muitos anos.
Foi assim que eu te odiei. Testando minhas convicções, negando meus princípios em nome desse impulso que me arremessa para você.
Foi assim que eu te inventei. Uma incógnita, um simulacro dos meus sonhos, um quase amor.
Foi assim que eu te inventei. Uma incógnita, um simulacro dos meus sonhos, um quase amor.
Foi assim que eu te guardei pra mim. É assim que vai ficar pra sempre. Como alguém que passou pelo meu caminho sem pretensão de ficar e, mesmo ausente, sem pressa pra partir. Foi assim...
"Mas fica, meu amor
Quem sabe um dia
Por descuido ou poesia
Você goste de ficar..."
( Chico Buarque)
Mais de mim
Eu sou dessas: imediatista e racional.
Gosto de saber onde piso, com quem ando, que horas saio e quando volto.
Para mim, sim e não, significam respectivamente sim e não.
Nunca fui rebelde, nem por isso submissa.
Meus gestos transgressores se limitam a atravessar fora da faixa, matar as aulas de física e beliscar os doces antes de cantar parabéns. Fora isso, sempre fui certinha, pontual, pragmática.
Protagonista condicionada ao controle da situação, camuflando a solidão no centro das atenções.
Eu fui criada assim, abrindo mão da anarquia, das aventuras errôneas, da liberdade inaceitável. Boneca de redoma divertindo-se à distância com as falhas de caráter e desvios de conduta alheios.
Viver em linha reta evita riscos, decepções e até dores físicas. Mas tira da gente a chance de saber de tudo um pouco e muito de nada.
Acredite, quando você acha que moldou o futuro em um plano bem elaborado esse fanfarrão chamado destino tira a gente do caminho certo para ensinar o certo no caminho errado.
Uma segunda chance que a vida dá para gente acreditar, sofrer, lutar, chorar e amar de novo sem manual de instruções.
Acho que é por isso que hoje estou meio assim, presa nos “ses” que a vida impõe: se eu lutasse, se eu mudasse, se eu ligasse, se...
Parece loucura? E é. Hoje eu agradeço a vida por ter a chance de estourar meu cartão, reclamar da ressaca, discordar da minha mãe, usar vestido curto, falar palavrão, viajar, inventar planos malucos, me apaixonar pela pessoa errada, fazer amizades improváveis, errar, errar, errar e mesmo assim me amar acima de tudo.
Por Sarah Santos
Gosto de saber onde piso, com quem ando, que horas saio e quando volto.
Para mim, sim e não, significam respectivamente sim e não.
Nunca fui rebelde, nem por isso submissa.
Meus gestos transgressores se limitam a atravessar fora da faixa, matar as aulas de física e beliscar os doces antes de cantar parabéns. Fora isso, sempre fui certinha, pontual, pragmática.
Gente moldada para ser boa filha, boa mãe, gente boa.
Acomodada a esperar pelo príncipe (quem está ao seu lado nunca é suficiente).Protagonista condicionada ao controle da situação, camuflando a solidão no centro das atenções.
Eu fui criada assim, abrindo mão da anarquia, das aventuras errôneas, da liberdade inaceitável. Boneca de redoma divertindo-se à distância com as falhas de caráter e desvios de conduta alheios.
Viver em linha reta evita riscos, decepções e até dores físicas. Mas tira da gente a chance de saber de tudo um pouco e muito de nada.
Acredite, quando você acha que moldou o futuro em um plano bem elaborado esse fanfarrão chamado destino tira a gente do caminho certo para ensinar o certo no caminho errado.
Uma segunda chance que a vida dá para gente acreditar, sofrer, lutar, chorar e amar de novo sem manual de instruções.
Acho que é por isso que hoje estou meio assim, presa nos “ses” que a vida impõe: se eu lutasse, se eu mudasse, se eu ligasse, se...
Parece loucura? E é. Hoje eu agradeço a vida por ter a chance de estourar meu cartão, reclamar da ressaca, discordar da minha mãe, usar vestido curto, falar palavrão, viajar, inventar planos malucos, me apaixonar pela pessoa errada, fazer amizades improváveis, errar, errar, errar e mesmo assim me amar acima de tudo.
Por Sarah Santos
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