Você me conheceu assim: desajeitada, exagerada, desconfiada, perdida.
Disse de cara que gostou do meu jeito, do meu cheiro, dos meus gostos, da minha maneira confusa de ver a vida.
Foi assim que eu achei graça na aventura. Menina dando corda no brinquedo, inventando um faz de conta, uma espécie de antídoto antimonotonia.
Foi assim que eu te vi. Uma distração para esquecer o que ficou do passado, para enganar aquela solidão desafiante que bate no finalzinho do domingo ou na quarta chuvosa antes de dormir.
Foi assim que eu te descobri. Meninão cheio de sonhos bagunçados, frases clichês e um olhar que intimida.
Foi assim que eu te adorei. Roubando meus melhores sorrisos no meio de um dia agitado, resgatando a menina boba e sonhadora que eu enterrei há muitos anos.
Foi assim que eu te odiei. Testando minhas convicções, negando meus princípios em nome desse impulso que me arremessa para você.
Foi assim que eu te inventei. Uma incógnita, um simulacro dos meus sonhos, um quase amor.
Foi assim que eu te inventei. Uma incógnita, um simulacro dos meus sonhos, um quase amor.
Foi assim que eu te guardei pra mim. É assim que vai ficar pra sempre. Como alguém que passou pelo meu caminho sem pretensão de ficar e, mesmo ausente, sem pressa pra partir. Foi assim...
"Mas fica, meu amor
Quem sabe um dia
Por descuido ou poesia
Você goste de ficar..."
( Chico Buarque)

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