quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Faxina Interior

Hoje acordei estranha.
Abraçada à sensação de que me perdi no tempo, como se o relógio corresse mais rápido que os meus sonhos.

Hoje enxerguei o vazio. Como quem gasta tempo planejando o futuro, sem cuidar do presente e espera o amanhã para mudar, mover, fazer diferente.

Hoje eu vi no espelho uma imagem feita por outras. Uma vida presa em suas próprias regras.

Hoje olhei para trás e não percebi em que trajeto do caminho tropecei.

Segui a estrada de concreto, segura e sinalizada. Não tinha obstáculos, nem desafios, bastava seguir em frente.

Hoje notei que pensaram por mim, viveram por mim, sonharam por mim. O futuro era incerto e eu não sabia, o presente era ilusório e eu achei que fosse real.

Será que o amadurecimento é estado de nostalgia? Quando foi que perdi a minha fé? Esqueci de crescer ou cresci no esquecimento?

E no meio desse coração incerto, algo dentro de mim revela uma certeza: a vida deixa de existir para quem não sabe viver.


Por Sarah Santos


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